• Marina de Almeida Barbosa

BIOMA MATA ATLÂNTICA

... “De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa”...

Trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha a D. Manoel


Quando os portugueses chegaram no Brasil, em 1500, eles encontraram uma paisagem diferente da qual estavam acostumados. Uma floresta densa aparentemente intocada, habitada por numerosos indígenas. Essa paisagem, descrita pelo escrivão Pero Vaz de Caminha na carta que para o rei de Portugal, é a mata atlântica, que recebeu esse nome devido à proximidade ao oceano Atlântico. Os montes arredondados e as grandes árvores caracterizam este bioma, que hoje está reduzido 8% do que era na época da descoberta do Brasil.


A Mata Atlântica acompanha o litoral brasileiro do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, englobando áreas de dezessete estados e ocupando uma área de 1.110.182 Km², o que corresponde a 13,04% da área do Brasil. Hoje, os remanescentes da Mata Atlântica estão situados nas Serras do Mar e da Mantiqueira e em alguns trechos do Sul da Bahia.

Como esse bioma está presente em diferentes regiões do Brasil ele engloba diferentes ecossistemas que acompanham as características físicas e climáticas de cada região.


A mata Atlântica é uma das florestas mais ricas em biodiversidade no Planeta, e detém o recorde de angiospermas por hectare (450 espécies no Sul da Bahia), cerca de 20 mil espécies vegetais, sendo que 8 mil delas só são encontradas nessa região. A nível de comparação em toda a América do Norte são estimadas 17.000 espécies existentes, na Europa cerca de 12.500 e, na África cerca de 40.000. Estudos apontam que a diversidade de árvores por hectare é maior do que a encontrada na Amazônia peruana. O que pode representar a maior diversidade de árvores por unidade de área do mundo!


A Mata Atlântica também abriga 849 espécies de aves, 370 espécies de anfíbios, 200 espécies de répteis, 270 de mamíferos e cerca de 350 espécies de peixes. Muitos desses animais estão correndo risco de extinção devido à caça e a pesca predatórias, a introdução de seres exóticos aos ecossistemas da Mata Atlântica e, principalmente, supressão dos habitats dos animais, causada pela expansão das atividades agropecuárias e da expansão mal planejada das cidades.


Nas áreas de domínio desse bioma estão localizadas sete das nove grandes bacias hidrográficas do Brasil, que abastecem mais de 110 milhões de brasileiros. Além disso, 61% da população brasileira está contida na região da mata atlântica, o que está ligado diretamente a diminuição desse bioma.


A devastação da Mata Atlântica ocorre desde o início da colonização do Brasil e cada ciclo econômico desde então foi responsável pelo desaparecimento de uma considerável parcela da mata. Crimes ambientais como o desmatamento, captura e tráfico de animais nativos aliados a deficiência no sistema de fiscalização pelos órgãos públicos e ao modo de exploração e utilização não sustentável dos recursos naturais causam cada vez mais o declínio desse bioma, gerando cenários irreversíveis e que afetam o meio ambiente e a qualidade de vida da população, como, a possível perda de espécies conhecidas e ainda não conhecidas pela ciência, a qualidade e quantidade da água de rios e mananciais a mudança de microclimas e o aquecimento global.


A proteção da floresta e das suas riquezas está prevista em nível federal na Constituição pela Lei 5.197/67 e também pela Lei de Crimes Ambientais (9.605/98). Além disso Iniciativas de caráter global como a Agenda 21, também propõe medidas de proteção à floresta. No entanto todos esses elementos dependem da vontade política dos governantes e da conscientização e adoção da sustentabilidade pelos cidadãos.


A proteção desse bioma tão rico requer, como todas as outras iniciativas de proteção ao meio ambiente, ações coletivas de educação ambiental, planejamento das atividades de expansão agropecuárias, energéticas e urbanas, da adoção do consumo e utilização sustentável, bem como da fiscalização ambiental por parte do poder público.


A permanência desse bioma tão rico no nosso planeta depende de nós e de nossas atitudes. Incentive o manejo sustentável e o ecoturismo, não jogue lixo nas matas e nos rios, busque o consumo de itens com certificação sustentável. Não sabemos quantas riquezas perdemos nesses 518 anos de exploração, quantos princípios ativos de remédios, quantas aves, anfíbios, quantas descobertas para a ciência e quantas outras maravilhas que se extinguiram devido a exploração desenfreada; mas sabemos o quão pouco nos resta e o quão importante esse pouco é.


Nunca poderemos admirar as matas intocadas vistas por Caminha, mas, no rumo certo, poderemos admirar as nossas escolhas e ações mudando o destino da mata Atlântica.

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